O que significa «feito em Portugal» numa sapatilha: um par, seis etapas
A maioria das nossas sapatilhas é feita num atelier familiar no norte de Portugal, onde um par passa por pelo menos 25 pessoas e seis etapas: a verificação da pele, o corte, a preparação, a costura, a montagem na forma e uma verificação final antes da caixa. Máquinas e mãos trabalham em conjunto, e a qualidade vem antes da rapidez.
Uma pele estendida numa mesa, debaixo de uma luz forte. Uma mão percorre-a devagar, à procura do que o olho pode não ver. Uma marca, uma zona mais fina, uma mudança de cor. Ainda nada foi cortado. É aqui que começa um par das nossas sapatilhas, semanas antes de chegar à tua porta.
«Feito em Portugal» vem impresso em muitos sapatos. Eis o que significa nos nossos: o atelier, as pessoas, as seis etapas, e o que sentes de tudo isso quando os calças.

Onde são feitas as sapatilhas ETQ?
A maioria das nossas sapatilhas de pele é feita num atelier familiar no norte de Portugal, com raízes que remontam a 1935. Não é uma fábrica de grande volume, nem tenta ser. Um par passa por pelo menos 25 pessoas, e a qualidade vem antes da rapidez. Desenhamos cada par no nosso estúdio nos Países Baixos.
O trabalho junta máquinas precisas e mãos experientes. O corte e a costura fazem-se à máquina; são as pessoas que decidem onde se corta, como se cose e o que está bom o suficiente.
| Etapa | Pessoas | O que acontece |
|---|---|---|
| À porta | À chegada | Pele e componentes verificados face à encomenda e à amostra aprovada |
| Corte | 10 | Cinco cortam, cinco recolhem e verificam; zonas fracas evitadas, esquerdo e direito emparelhados |
| Antes da costura | 8 | Bordas desbastadas, espessura uniformizada, zonas fracas reforçadas, logótipo gravado |
| Costura | 16 | As peças planas tornam-se uma gáspea; cada caixa de produção é verificada |
| Na forma | Cerca de 19 | A gáspea é esticada à volta da forma; a sola repousa cerca de 30 minutos e depois é colada e prensada |
| A caixa | Verificação final | Simetria, número, cor, linha da sola e costuras; esquerdo e direito têm de coincidir |
O que acontece à porta?
Cada entrega de pele e componentes é verificada face à encomenda e à amostra aprovada: tipo, cor, espessura, acabamento. Cada pele é observada à procura de marcas e diferenças de cor. O que não corresponde fica fora da produção.
Nessa altura, a pele já fez um longo caminho. A nossa napa, camurça e nobuck vêm de curtumes em Portugal, Itália e Espanha certificados pelo Leather Working Group, a maioria com classificação Gold. A nossa napa é curtida sobretudo em Alcanena, Portugal. Mais sobre cada pele na nossa página de peles.
Como se corta e prepara uma sapatilha?
Com cuidado, e com um segundo par de olhos. Dez pessoas trabalham no corte: cinco cortam, cinco recolhem e verificam o que foi cortado. As zonas fracas da pele são evitadas, a direção do grão é respeitada, e o pé esquerdo e o direito são emparelhados.


Depois, oito pessoas preparam cada peça. As bordas são desbastadas para que as costuras fiquem planas, a espessura é uniformizada, as zonas fracas são reforçadas e o logótipo é gravado. Esta etapa nunca a vês. Sente-la.

Esta etapa nunca a vês. Sente-la.
Como se torna um sapato?
Em duas salas. Dezasseis pessoas transformam peças planas numa gáspea, seguindo a amostra aprovada em cada costura, cada fio e cada cor. É aqui que se aplica o pequeno quadrado no calcanhar. Cada caixa de produção é verificada antes de seguir.

Depois, a forma. Cerca de dezanove pessoas trabalham aqui. A gáspea é esticada por igual à volta da forma, que define o feitio e o ajuste. A sola é limpa, tratada e deixada a repousar cerca de 30 minutos, e depois é colada e prensada no sítio. As nossas sapatilhas têm construção Strobel: a gáspea é cosida a uma base flexível antes de se juntar à sola, por isso o sapato dobra onde o teu pé dobra. A maioria assenta numa de três solas feitas nos nossos próprios moldes. Mais em Como é feito.
O que acontece antes da caixa?
Um último olhar à simetria, ao número, à cor, à linha da sola e às costuras. O esquerdo e o direito têm de coincidir. O que não está à altura volta ao departamento de onde veio. Só então vêm o papel de seda, o saco de proteção e a caixa.
Um par tem entre 20 e 40 componentes. Os atacadores, a espuma de conforto e os contrafortes vêm de fabricantes a cerca de dez minutos do atelier. A linha de costura vem de um fabricante que existe desde 1854. Cada componente é escolhido, ajustado e verificado.

O que ganhas com tudo isto?
Um sapato que se sente acabado. Costuras planas. Uma forma que assenta bem no pé desde os primeiros passos. Esquerdo e direito iguais. E um par que continua a melhorar, porque continuamos a trabalhar nele: a LT 03 ganhou um pesponto mais fino e um colarinho mais macio no calcanhar, porque nos disseste que roçava.
E ganhas honestidade sobre o que é. A pele continua a reagir como pele: cada uma absorve a cor à sua maneira, por isso os tons podem variar ligeiramente de lote para lote, e a cor muda com o sol e o uso. Verificamos isso. Não o conseguimos eliminar, e é isso que faz dela pele.
Podes ver cada etapa em imagens na página From hide to box. Para saberes o que procurar num par, lê o que procurar numas sapatilhas de pele brancas e, para veres como um par continua a melhorar, Versão após versão. Alguma coisa não está bem? Diz-nos. É assim que nasce uma próxima versão. E para saberes o que tudo isto significa no preço de um par, lê o que pagas numa sapatilha de pele minimalista.
Perguntas frequentes
Onde são feitas as sapatilhas ETQ?
A maioria é feita num atelier familiar no norte de Portugal. São desenhadas no nosso estúdio nos Países Baixos.
Quantas pessoas trabalham num par?
Pelo menos 25 pessoas, ao longo de seis etapas: a verificação da pele, o corte, a preparação, a costura, a montagem na forma e a verificação final.
Quantas peças tem uma sapatilha?
Entre 20 e 40 componentes, consoante o modelo.
A sola é cosida ou colada?
A gáspea é cosida a uma base flexível, e depois a sola é colada e prensada no sítio.
